MEC vai distribuir material que ensina escolas a lidar com a diversidade sexual. Deputados criticam conteúdo da publicação
Uma cartilha acompanhada de três vídeos contra a homofobia está no centro de uma polêmica entre deputados, educadores e ativistas dos direitos humanos. O material será distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) para 6 mil escolas públicas de ensino médio no segundo semestre desse ano.
O objetivo do kit é orientar professores e alunos sobre como lidar com o preconceito a homossexuais, mas a bancada evangélica na Câmara considera que o conteúdo da publicação estimula crianças e adolescentes a se relacionarem homossexualmente. Essa tese é rechaçada por representantes do movimento gay e educadores.
O objetivo do kit é orientar professores e alunos sobre como lidar com o preconceito a homossexuais, mas a bancada evangélica na Câmara considera que o conteúdo da publicação estimula crianças e adolescentes a se relacionarem homossexualmente. Essa tese é rechaçada por representantes do movimento gay e educadores.
Segundo o MEC, o kit está em análise na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, e não será entregue a alunos, mas às escolas. A cartilha é fruto de uma parceria entre o Ministério e a organização não-governamental Ecos Comunicação em Sexualidade e foi elaborado por entidades de defesa dos direitos humanos e da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis), a partir do diagnóstico de que falta material adequado e preparo dos professores para tratar do tema. Além do livro, os vídeos, com duração média de cinco minutos, tratam de temas como transexualidade e bissexualidade.
Crítica
No mês passado, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse que uma das prioridades do seu mandato é combater a distribuição do kit. Para ele, o kit apresenta material audiovisual com conteúdo impróprio para crianças e adolescentes, pois “estimula o homossexualismo, e nenhum pai quer ter um filho gay”.
No Paraná, o deputado estadual Leonaldo Paranhos (PSC) diz que pretende impedir a distribuição do kit porque considera um incentivo ao homossexualismo. “Esse tipo de material não vai resolver o problema. Temos que lutar contra a discriminação, mas não com um material que diz que o homossexualismo é natural e normal”, afirma. Paranhos afirma que se for necessário vai entrar na Justiça para barrar a entrega.
Preconceituoso
Para a doutora em Educação pela Universidade de Campinas (Unicamp), Maria Rita de Assis César, o posicionamento da bancada evangélica é preconceituoso. “Esses deputados não têm conhecimento do tema, nem são especialistas no assunto. Eles não têm interesse em acabar com a homofobia, a violência e a discriminação”, diz.
Ela coordena um grupo de estudos na Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre o tema e defende que o kit chegue aos alunos. “É preciso que as crianças percebam que uma família hétero é tão igual a uma família homossexual. São simples modelos, arranjos diferentes de família. A família hétero é só mais um modelo”, avalia, dizendo que o ensino de que a família constituída por “papai, mamãe e filhos” é o ideal só tem gerado dificuldades para lidar com o tema. “A diversidade sexual não é problema, só é problema na cabeça de quem tem preconceito”, avalia.
“O material é absolutamente construtivo, didático, pedagógico, e respeita o tempo de formação das crianças. O material não é para os alunos, mas para professores e monitores”, defende o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ). Na opinião dele, esse projeto vem para desconstruir a mentalidade homofóbica. “A escola é um espaço privilegiado para quem tem preconceito contra negros, gordos, afeminados, deficientes e outros que não se encaixam no que é considerado normal.”
O secretário da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ALGBT), Marcio Marins, diz que o kit vai colaborar para diminuir a homofobia. “A cartilha não vai ser distribuída indiscriminadamente, mas disponibilizada para unidades que já estão capacitadas para trabalhar com o tema. Será tudo feito de maneira responsável.”
1 comentários:
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